As construções subjetivas do escritor

Fazer o que se deve muitas vezes é mais natural. Teremos mais que uma obrigação ou dever.

 

Escrever pode ser um deles. Como qualquer outra coisa. A importância disso é revelada aqui.

Escrever o que mais, pergunto-me. E a resposta: a vida, o mundo, o que se conhece, o que se desconhece. Aventar alguma coisa na mente é criar um movimento pelo qual se pode escrever uma saga familiar.

O épico na vida do escritor

Um escritor se constrói ao longo de sua atividade. Ele escreve aquilo que faz com que sua vida se expresse. É sua alma que fala por si ou pelos outros. Isso só depende do gênero, objetivo, modo de abordagem, ponto de vista, entre outras coisas Mas escrever no fundo é quase sem querer. Quer-se criar, mas o ato físico da escrita é o que assina o milagre da criação.

O tempo também conta muito na vida do escritor. A epopeia de se contar como uma construção que constrói o objeto de seu trabalho, a palavra, traduz bastante o que o tempo consolidou na memória do escritor.

A vida construída ao longo dos anos é-lhe revelada aos poucos. Quase como uma dádiva celestial. O mundo que se descortina a sua frente é digno de nota, pois sua qualidade é superior, o conhecimento que traz um estofo, uma comunhão harmônica de princípios e valores (uma descomunhão que se organiza em palavras também vale aqui).

Quando escrever é construir paredes e murais

Pessoas gostam de objetividade, clareza, ordem. É assim uma parte de nosso cérebro, analista e racional. Para que serve isto, como funciona e sua utilidade são percepções vivas dessa mente.

Mas o outro lado, o emocional e sentido, quer ver de uma forma mais bela, sentir sua profundidade, descobrir o ser original das coisas. Esse campo da mente é determinante para se construir como um escritor. É ele inclusive que guarda a memória afetiva das coisas, os sentimentos profundos, e, em alguns casos, até mesmo os impulsos para a vida.

Há uma carga de sofrimentos sentidos pelo escritor ao longo de seu tempo. O que ele faz com esse material sentido vai determinar sua inclinação literária, o que acabará escrevendo a maior parte de seu tempo.

Palavras somam, acrescentam, se erguem

Hoje se vende serviços de redação por número de palavras em um texto. Uma rica somatória de ideias e informações sobre um assunto pode surgir numa publicação desse gênero. Assim também se constrói o que se faz com a palavra. Escrever e registrar na forma de uma impressão - impressão digital tamném é impressão aqui -o que existe antes na subjetividade do escritor: dar uma forma só sua a alguma ideia ou assunto.

A terapia se lança com as palavras. O escritor pode até nem pensar sobre isto, todavia é uma boa hipótese sobre seu movimento natural centrífugo - de dentro para fora - expressando assim o mais importante conteúdo que amou criar e revelar enquanto escreve.

Como encerrar uma conversa informal

O leitor desse texto pode estar pensando no final. Como desfechar um texto como este sabendo que é como encerrar uma conversa.

"Ah! Preciso ir agora, me dá licença!" - é muito 'sincero'. Ingenuidade de minha parte achar que um leitor meu pudesse achar isso um fim decente.

Mas eu preciso ir mesmo. O texto foi ganhando proporções e, salvo que estou num website no qual se apóia a escrita e o escritor, temos mais ou menos um tamanho padrão aqui para postar.

Escrever não tem fim em si mesmo. Um desfecho que sai de uma realidade e transita por uma outra pode ser um desfecho que talvez revele que nem sempre a afetação literária é o modo mais salubre de se escrever alguma coisa.

O mundo modificou uma série de coisas que funcionavam e que hoje estão em baixa. As formas inteligentes de interagirem com o homem são extremamente valorizadas hoje. Escrever tornou-se mais mecânico. Por um punhado de palavras, se vende um serviço de redação.

Nada está errado. Apenas mudou o centro da gravidade. O que era importante ou valorizado na era industrial, na era tecnológica pode estar até em extinção.

Um texto pode se encerrar assim. De um instante para outro, mas não terá fim nunca. Nas entrelinhas de tudo que escrevemos podemos fazer novas leituras e descobertas.

Como escritor eu não quero mudar o mundo; quero retratá-lo sob minha visão. De alguém que busca construir o próprio mundo com o valor da palavra escrita.