pianista

Algo maior do que as próprias palavras

A inspiração brota das palavras ou são estas que brotam daquela? Ou ainda: Haveria alguma coisa antecessora às palavras que leva adiante aquilo que antes não existia?

 

Escrever é isso. É dar vida ao não existente. A isto que vos fala em forma de palavras que se juntam por letras motivadas por dedos ariscos e lépidos.

 

songs without words (lieder ohne worte), #1 in E major, op.19b, felix mendelssohn from Paul Hamilton on Vimeo.

 

Escrever na WEB é um deleite porque podemos quebrar as regras. Não do decoro especificamente, embora tenha muitos que o fazem com certo brilhantismo intelectual ou artístico, mas quebrar as regras das palavras, da inspiração.

Primeiro porque preciso quebrar os parágrafos em breves linhas, haja vista que a natureza do digital é estar numa tela brilhante que ofusca a leitura depois de um tempo de exposição e tende a cansar mais o leitor quando os parágrafos são muito extensos.

Escrever não tem disso, de ofuscar a visão frente a uma tela branca e luminosa. Escrever "quebradamente" como escrevo na WEB é dar vida àquilo que nem sequer esboçava na minha mente pouco tempo antes.

Transformar o vivido ou experimentado em algo expressivo ou significativo exige o ato da transformação, de saber quebrar as regras muito mais que propriamente quebrar parágrafos de uma ideia que se expressa através de pensamentos burilados na mente que se conecta com um plano mais alto, com propósitos muito mais etéricos do que propriamente com a realidade que está sob meu traseiro.

Tudo que se transforma renasce de alguma outra forma assim a natureza física nos mostra. De forma cabal é possível ver essa realidade em espírito. Quando se forma alguma nova coisa ainda sem forma na mente de um escritor, o que se forma é o próprio germe da transformação.

Quebrar as regras, neste sentido, é transformar a tela em branca e luminosa de uma tela grande ou pequena numa terra fértil na qual caem maná do céu.

A sensação da Presença Divina é forte, poderosa. Sabemos que estamos em boas mãos, sabemos que o mundo pode ser desbravado de várias maneiras, até mesmo intelectualmente.

Pensar fora caixa é um emblemático sinal de que a consciência evoluiu para um nível acima. Talvez nem importe tanto o grau de ascendência, mas sim o movimento da transformação, em que palavras concretizam aquilo que antes era somente inspiração por viver a Presença Divina em nossas vidas.

Se é isso só já vale a pena a descoberta. Acha que já sabe tudo e nada pode ser tão significativo assim? É uma pergunta recorrente que atravessa os tempos de uma vida inteira.